“O trabalho do designer no Brasil é algo enriquecedor, vemos ano a ano a evolução de nossas indústrias investindo em projeto em pesquisa. Com tantos eventos que estão por vir, o Brasil precisa de muita criatividade e bons projetos para receber o mundo no seu estilo próprio e surpreender quem veio nos conhecer!”
Confira agora uma entrevista exclusiva com a ceramista Carolina Haveroth - eterna apaixonada pela arte.
Como e quando começou sua carreira?
Comecei no dia primeiro de maio de 2002. Na época, meu maior objetivo era participar das maiores feiras de decoração do Brasil. Meu atelier era muito pequeno, mas já iniciamos participando da Gift Fair. Em 2003, entrei para o curso de Design de produto da Furb, e me aperfeiçoei no design de superfície.

Quando você descobriu que queria ser designer e, depois, ceramista?
Na adolescência, adorava fazer cursos de pintura. Nesta época aprendi a trabalhar com texturas de paredes, madeira, mosaicos, vidros. Foram uns 4 anos trabalhando nesta área, me especializei tanto, que cheguei a ser contratada para dar aula em lojas de tinta especializadas. Conheci as fábricas da Suvinil, Lukscollor, Acrilex e distribuidores de materiais importados diretamente em São Paulo, o que facilitou todo o conhecimento na área de tintas e pigmentos. Em 2002, quando decidi abrir o atelier, logo escolhi trabalhar com cerâmica, pois era o material que mais tinha sensibilidade. Depois da faculdade, veio o conceito do designer em si, então foi ceramista e depois designer. Na verdade acredito que todo designer tenha um pouco de artista – na minha opinião, esse espírito é fundamental.

Como é o seu dia-a-dia no atelier? Você conta com ajuda de mais pessoas para a produção?
Hoje trabalhamos em 16 pessoas, onde 80% são mulheres, isso porque considero um trabalho delas mais minimalista, e as mulheres acabam se adaptando melhor. Meu trabalho não tem muita rotina, tem dias que fico mais na pesquisa e criação, outros no comercial, pois adoro vender também, e inevitavelmente tenho que acompanhar as planilhas financeiras e de planejamento.
Quais são tuas principais inspirações?
Primeiramente, pesquiso as tendências européias que ditam muito sobre as linhas de móveis, pois nossas peças são utilizadas sobre os móveis. Depois disso, trago as tendências para a realidade do Brasil, adapto as cores e utilizo de acordo com os nossos projetos. Gosto muito de trabalhar com o artesanato brasileiro, considero rico na matéria prima, na valorização da cultura, e isso enriquece o design brasileiro.

Como é participar da Feira de Milão?
Infelizmente houve um problema no envio da mercadoria e nossas peças não chegaram no prazo. Mas meu maior reconhecimento foi saber que uma galeria da Europa me convidou para participar, e esse é o melhor sinal de que o produto está sendo visto pelo mundo.
Onde seu trabalho já foi exposto?
Depois de fazer 28 feiras no Brasil, já participamos de exposições na Suécia, Suíça, Montreal e Angola.

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